Estupidez Questionada
A cada dia que passa sinto a estupidez das pessoas a aumentar. Quando comentei esta frase com uma amiga minha ela disse "se calhar és tu que estas a evoluir", mas acho que não será bem isso: essas pessoas é que estão a regredir. E para isso basta estar parado. A vida está acabando a cada segundo que passa... Se usas esse tempo para coisas fúteis, tornas-te fútil, se o usas para coisas interessantes, tornas-te menos estúpido.
As vezes gostava de ser como a maioria: rir-me de coisas sem graça apenas por razões sociais, alimentar os comentários infantis que se trocam nas minhas várias "tribos", apreciar o meu lugar na hierarquia, ter os mesmos gestos previsíveis e pensar da mesma forma (ou alias, não pensar de todo).
O ser humano é um ser social, e quem não tem essa necessidade é uma pessoa doente. Alturas houve em que me considerei sociopata, mas pouco tempo mais tarde percebi que esse não era o problema. Depois, pensei que talvez o problema fossem os outros... não aquela sensação autista de "eu estou certo, o mundo está errado", mas o facto é que a maioria tem premissas completamente erradas em relação ao mundo, à vida, à realidade (basta observar um bocadinho)... Foi então que parti na saga de encontrar resposta a esta pergunta: quem é que se culpa, no meio disto tudo? Os nossos pais? Os nossos profes? A nossa educação? Os nossos amigos? “Deus”? O destino? A ministra da educação? Socrates? Bin Laden?
Continuei à procura de algo ou alguém para responsabilizar deste mal maior. Até que me apercebi que a culpa reside individualmente em cada um de nós.
Porque? ...talvez seja porque fomos educados a conformismos e termos medo de tudo o que parece ser um pouco maior do que nós. Porque desde a nossa infância que levamos com mentiras que estão entranhadas no meio em que vivemos como uma nódoa que não sai por mais que esfreguemos... Porque ninguém nos diz com confiança o que devemos fazer, e ouvimos apenas o que não podemos fazer. Porque acreditamos quando nos dizem o que quer que seja.
Mas de quem é a culpa, mesmo? Das pessoas com quem convivemos? Daqueles que nos educaram? É claro que não... É completamente ridículo estarmos a culpar os outros pelos defeitos que temos. Se somos assim, é porque escolhemos ser, por muito que nos custe admitir isso. Se continuamos na mesma, é porque não temos qualquer interesse em nos tornarmos melhores (seja porque achamos que já sabemos tudo, ou porque não queremos aprender mais nada e estamos muito bem assim).
“Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és”. Cada um escolhe com quem quer estar, ninguém é obrigado a estar com ninguém que não gosta. Mas se quase toda a humanidade é estúpida até ao tutano, valerá a pena estar sozinho?
Diz-se que Einstein foi o gajo que mais aproveitou as suas capacidades intelectuais. 10% do cérebro, ao que parece. Também li, já não sei onde, que ele era um antisocial de primeira. Da forma como o mundo está, acho que tem todo o sentido associar esses dois factores.
Dizem por ai que a felicidade e a ignorância são aliadas... Já acreditei nisso. Hoje prefiro rir-me poucas vezes com consciência do que muitas vezes com ignorância. Posso estar errado, mas se assim for, alguém me explique porquê.
