Sentes
Sentes tudo. Sentes o peso do teu corpo, o coração bombeia o sangue quente pelas veias, e a tua pele pulsa, fazendo dançar os pêlos que te fazem sentir todos os gestos do vento. Sentes o espaço que te rodeia, os pequenos objectos que te fazem companhia testemunham contigo este teu momento único. Sentes todos os aromas que respiras, e engoles saliva na esperança de os sentires com o teu paladar. Sentes até os pequenos sons que chegam até ti, viajando pelas partículas de ar, que sentes a vibrar até atingirem o teu ouvido... O vento roça pelo teu pescoço, beijando-te ao de leve, e sentes um arrepio que te faz minguar a pupila dos teus olhos, que sentes estarem agora mais fechados.
Sentes tudo o que te rodeia, tudo aquilo que pensas. Todos os teus gestos, todos os teus actos te fazem sentir assim.
Sentes, apenas.
No entanto, nada mais entendes. A tua vida não passa de sentimentos. Não te emocionas. Os sentimentos (que te fazem sentir apenas) descontrolam-te. Desinfectam-te de toda e qualquer emoção. És uma pessoa sensorial, e não entendes a essência do axioma emoção.
Sentes uma lágrima a escorrer-te pela cara. Percorre, lentamente, um caminho já familiar. Um pequeno pêlo facial tenta segurar essa lágrima sentida, mas esta está tão carregada que continua o seu caminho, fazendo do pêlo uma ajuda para continuar, em vez de um obstáculo. A gota salgada cai e dissolve-se na areia, carregada de...
