13 à 6a

Só acredita quem quer. Quem não quer, pode acreditar na mesma.

domingo, abril 20, 2008

Object(iv)o Isolado

Os sons são graves, profundos, e lentos. Todo o ambiente parece mover-se em câmara lenta. O que se passa?

Procuro alguém que não me vê (os seus olhos parecem estar parados no tempo. Um olhar fixo que se direcciona para o abismo do previsível...) Os seus passos errantes parecem escorregar lentamente pelo chão molhado por uma chuva de primavera, e o pensamento direcciona-se totalmente para o equilíbrio do corpo (não vá ele cair). Mais nada. Todo o seu intelecto desvia a sua atenção para a base escorregadia, que se torna num obstáculo difícil de ultrapassar. Infelizmente, o seu único obstáculo. Mais nenhum. O seu percurso é uma linha quase recta, com poucas curvas, e nenhum atalho. A imaginação e a criatividade é algo que não faz parte deste objecto em movimento, deslizante num atrito inconstante. Com o único objectivo de se manter no equilíbrio. O único. Mais nenhum.

Todos os sons se esticam pelo lento tempo, e repartem-se gradualmente em milhares de pequenos pedaços que desaparecem, um a um, no escuro do silêncio. Um raio de sol refracta-se na pupíla do meu olho, e para onde quer que olhe depois, vejo a sua forma. Olho fixamente para ela. Também esta escorrega, não pelo chão molhado por uma chuva de primavera. Antes, flutua pelo ar, pútrido e fétido da primeira das realidades. Uma nódoa amarelo-luminosa, volúvel num espaço carregado de óbvio e aparências. Procura, timidamente, um local seguro, algo que a possa abraçar e aquecer, fazê-la sentir que ali o mundo nunca mais acaba... Mas nada que seja longe de mim a parece convencer. Falo com ela com o olhar, mas nada acontece.

...

Abro a minha mão, e ela vem ter comigo instintivamente. Pergunta-me "quem és?" só pelo toque, e eu desmaio pela primeira vez na vida.

Quando acordo (o seu sapatinho-de-ir-ao-figo escorrega, mostrando que ele se distraíra da única coisa que sabe fazer como deve ser. Removendo o factor velocidade, nada mais se alterou.), reparo que tudo voltou ao normal. A um "normal" que nunca antes tinha visto.

2 Comments:

Anonymous Anónimo said...

e dizes q nao foste à primária...bem, se nao foste, tiveste explicaçoes a dada altura.
faz-me lembrar o "breu"... nao fosse ele escrito pla mm pessoa e teria de me explicar, nao é? adversário do kitsch (ja nao sei s é assim q se escreve)
desculpa, mas ser de moda é lixado por isso vou deixar em anonimo. as minhas capacidades nao me permitem fazê-lo d outra forma....
enelim

domingo, abril 20, 2008  
Anonymous Anónimo said...

Hallo...Gostei mt ler o teu texto...tens uma capacidade descritiva íncrivel...consegues transportar o leitor directamente para as tuas "visões".
Mui bueno!!

Também com essa idade tinhas que aprender qualquer coisa...Hehehe!!
;P ************

segunda-feira, abril 21, 2008  

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