13 à 6a

Só acredita quem quer. Quem não quer, pode acreditar na mesma.

quinta-feira, junho 03, 2010

Quero-te, mas não preciso de ti

Atravesso
A paisagem do meu sonho
Como um espelho
Vejo que me contraponho

Agarrei-me
Ao querer o que não tenho
Vou perdendo
Aquilo que ainda mantenho

Refrão:
Quero-te,
mas não preciso de ti
Quero que
preenchas o vazio que há em mim

Re-desenho
Este esboço rascunhado
Rejubilo
Um sabor amargurado

Contradigo-me
Com esta ambiguidade
Já não quero
Ter esta necessidade

Refrão.
Instrumental.

Não duvido
Das certezas que não tenho
O ouvido
Ouve coisas que eu abstenho

Quero o fim
Quero nunca mais parar
Simbiose
Que me faz imaginar


_______
Acabado agora, com as ideias base
17:32 01-06-2010

sábado, novembro 29, 2008

Estupidez Questionada

A cada dia que passa sinto a estupidez das pessoas a aumentar. Quando comentei esta frase com uma amiga minha ela disse "se calhar és tu que estas a evoluir", mas acho que não será bem isso: essas pessoas é que estão a regredir. E para isso basta estar parado. A vida está acabando a cada segundo que passa... Se usas esse tempo para coisas fúteis, tornas-te fútil, se o usas para coisas interessantes, tornas-te menos estúpido.
As vezes gostava de ser como a maioria: rir-me de coisas sem graça apenas por razões sociais, alimentar os comentários infantis que se trocam nas minhas várias "tribos", apreciar o meu lugar na hierarquia, ter os mesmos gestos previsíveis e pensar da mesma forma (ou alias, não pensar de todo).
O ser humano é um ser social, e quem não tem essa necessidade é uma pessoa doente. Alturas houve em que me considerei sociopata, mas pouco tempo mais tarde percebi que esse não era o problema. Depois, pensei que talvez o problema fossem os outros... não aquela sensação autista de "eu estou certo, o mundo está errado", mas o facto é que a maioria tem premissas completamente erradas em relação ao mundo, à vida, à realidade (basta observar um bocadinho)... Foi então que parti na saga de encontrar resposta a esta pergunta: quem é que se culpa, no meio disto tudo? Os nossos pais? Os nossos profes? A nossa educação? Os nossos amigos? “Deus”? O destino? A ministra da educação? Socrates? Bin Laden?
Continuei à procura de algo ou alguém para responsabilizar deste mal maior. Até que me apercebi que a culpa reside individualmente em cada um de nós.
Porque? ...talvez seja porque fomos educados a conformismos e termos medo de tudo o que parece ser um pouco maior do que nós. Porque desde a nossa infância que levamos com mentiras que estão entranhadas no meio em que vivemos como uma nódoa que não sai por mais que esfreguemos... Porque ninguém nos diz com confiança o que devemos fazer, e ouvimos apenas o que não podemos fazer. Porque acreditamos quando nos dizem o que quer que seja.
Mas de quem é a culpa, mesmo? Das pessoas com quem convivemos? Daqueles que nos educaram? É claro que não... É completamente ridículo estarmos a culpar os outros pelos defeitos que temos. Se somos assim, é porque escolhemos ser, por muito que nos custe admitir isso. Se continuamos na mesma, é porque não temos qualquer interesse em nos tornarmos melhores (seja porque achamos que já sabemos tudo, ou porque não queremos aprender mais nada e estamos muito bem assim).
“Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és”. Cada um escolhe com quem quer estar, ninguém é obrigado a estar com ninguém que não gosta. Mas se quase toda a humanidade é estúpida até ao tutano, valerá a pena estar sozinho?
Diz-se que Einstein foi o gajo que mais aproveitou as suas capacidades intelectuais. 10% do cérebro, ao que parece. Também li, já não sei onde, que ele era um antisocial de primeira. Da forma como o mundo está, acho que tem todo o sentido associar esses dois factores.
Dizem por ai que a felicidade e a ignorância são aliadas... Já acreditei nisso. Hoje prefiro rir-me poucas vezes com consciência do que muitas vezes com ignorância. Posso estar errado, mas se assim for, alguém me explique porquê.

domingo, maio 18, 2008

Existo demais

Não sei em que pensar. Penso em algo que poderia ser interessante, mas não sei se será suficientemente importante perder tempo a pensar nisso. Penso em algo diferente, mas a mesma dúvida ocorre novamente. Não sei o que poderia ser minimamente importante...e penso nisso. Nada parece valer realmente a pena, no entanto tudo parece ser tão interessante. Mas o que é realmente importante, não sei. Tudo aquilo em que tenho pensado já provou, várias vezes, ter sido uma perda de tempo. Não tenho tempo para perder tempo.

Não sei se o que penso continua a ser uma perda de tempo. Mas talvez não tenha perdido tempo. Se calhar, todo este tempo perdido se resumiu ao próprio acto de pensar. Talvez, se não pensasse, o tempo não se teria perdido... mas qual seria o interesse da coisa? O interessante e a perda de tempo parecem ser opostos que se atraem. Mas talvez essa atracção seja o único elo errado. A única peça defeituosa na construção harmónica do universo.

Se pensar não passa de um instinto que adquirimos por sobrevivência, pensar equivale a poupar tempo. Mas se pensar em algo errado se identifica com perda de tempo, é preciso saber o que é errado pensar, para descobrir o que é correcto. Tanto o errado como o correcto, não passam de axiomas definidos pela sociopatia que lidera a sociedade. Conceitos, ideias e memórias, que definem preconceitos sociológicos, são naturais no instinto de cada ser humano. Logo, o errado e o correcto são conceitos definidos por preconceitos generalistas, que nada interessam à sobrevivência. O que é curioso, é saber que a sociedade “pensa” que, para sobreviver, precisa de ocupar a mente de cada indivíduo que a alimenta. (No entanto, cada elemento individual não precisa de lutar pela sua sobrevivência, já que o ser humano é a raça que “domina” o planeta terra.) Uma tentativa desesperada de fazer acreditar que, só assim, a vida tem sentido. Mas, sem rumo, esse sentido não existe.

“Sobreviver” deixou de existir, e foi substituído por “viver”, ou “saber viver”. Tudo o resto foi deixado para trás. “Eu sou uma pessoa, não sou um animal!”. Os instintos foram esquecidos, e tentados adormecidos por conceitos, ideias, memórias... preconceitos, julgamentos, traumas...

Tudo parece ter sentido, mas nada parece ter... lógica. É como se o destino fosse um rio de reacções aleatórias em cadeia. Mas tudo mostra um certo padrão. Por muito difícil que seja de identificar, ele está sempre lá, à espera de ser encontrado. Mas, com tantos outros padrões a ter em conta, este passa tão desapercebido que nem existe. Pelo menos para a maioria de alguns.

Tento pensar em algo que me faça apreciar a vida, visto que não preciso de pensar em lutar pela sobrevivência. Nada parece funcionar, excepto actos singelos e/ou ingénuos... instintivos, talvez. Reacções que não se identificam com a minha personalidade, mas sim com a minha natureza.

Se a personalidade de cada indivíduo muda de dia para dia (ou será que há gente que insiste em se manter igual durante uma vida inteira (mesmo que não o consiga)?), então “personalidade” não é um termo definido mas sim uma definição abstracta, ou mutante. Se cada um tem a sua personalidade, e se esta muda de dia para dia... para que serve esse axioma? Esse...e qualquer outro? Aquilo que eu defino por incerto pode ser mais certo para ti, leitor, do que para mim...ou o contrário. Se cada palavra que escrevo tem uma interpretação diferente de acordo com a personalidade mutante de cada um, de que me serve escrever? Estarei eu sedento de ser mal interpretado?

Penso em algo inútil, mas interessante. E penso noutra coisa efémera mas importante. Não sei exactamente o quê, mas isso não parece importar muito. Talvez por ser efémero...como o tempo que perco a escrever.

sábado, abril 26, 2008

Sentes

Sentes tudo. Sentes o peso do teu corpo, o coração bombeia o sangue quente pelas veias, e a tua pele pulsa, fazendo dançar os pêlos que te fazem sentir todos os gestos do vento. Sentes o espaço que te rodeia, os pequenos objectos que te fazem companhia testemunham contigo este teu momento único. Sentes todos os aromas que respiras, e engoles saliva na esperança de os sentires com o teu paladar. Sentes até os pequenos sons que chegam até ti, viajando pelas partículas de ar, que sentes a vibrar até atingirem o teu ouvido... O vento roça pelo teu pescoço, beijando-te ao de leve, e sentes um arrepio que te faz minguar a pupila dos teus olhos, que sentes estarem agora mais fechados.

Sentes tudo o que te rodeia, tudo aquilo que pensas. Todos os teus gestos, todos os teus actos te fazem sentir assim.

Sentes, apenas.

No entanto, nada mais entendes. A tua vida não passa de sentimentos. Não te emocionas. Os sentimentos (que te fazem sentir apenas) descontrolam-te. Desinfectam-te de toda e qualquer emoção. És uma pessoa sensorial, e não entendes a essência do axioma emoção.


Sentes uma lágrima a escorrer-te pela cara. Percorre, lentamente, um caminho já familiar. Um pequeno pêlo facial tenta segurar essa lágrima sentida, mas esta está tão carregada que continua o seu caminho, fazendo do pêlo uma ajuda para continuar, em vez de um obstáculo. A gota salgada cai e dissolve-se na areia, carregada de...

domingo, abril 20, 2008

Object(iv)o Isolado

Os sons são graves, profundos, e lentos. Todo o ambiente parece mover-se em câmara lenta. O que se passa?

Procuro alguém que não me vê (os seus olhos parecem estar parados no tempo. Um olhar fixo que se direcciona para o abismo do previsível...) Os seus passos errantes parecem escorregar lentamente pelo chão molhado por uma chuva de primavera, e o pensamento direcciona-se totalmente para o equilíbrio do corpo (não vá ele cair). Mais nada. Todo o seu intelecto desvia a sua atenção para a base escorregadia, que se torna num obstáculo difícil de ultrapassar. Infelizmente, o seu único obstáculo. Mais nenhum. O seu percurso é uma linha quase recta, com poucas curvas, e nenhum atalho. A imaginação e a criatividade é algo que não faz parte deste objecto em movimento, deslizante num atrito inconstante. Com o único objectivo de se manter no equilíbrio. O único. Mais nenhum.

Todos os sons se esticam pelo lento tempo, e repartem-se gradualmente em milhares de pequenos pedaços que desaparecem, um a um, no escuro do silêncio. Um raio de sol refracta-se na pupíla do meu olho, e para onde quer que olhe depois, vejo a sua forma. Olho fixamente para ela. Também esta escorrega, não pelo chão molhado por uma chuva de primavera. Antes, flutua pelo ar, pútrido e fétido da primeira das realidades. Uma nódoa amarelo-luminosa, volúvel num espaço carregado de óbvio e aparências. Procura, timidamente, um local seguro, algo que a possa abraçar e aquecer, fazê-la sentir que ali o mundo nunca mais acaba... Mas nada que seja longe de mim a parece convencer. Falo com ela com o olhar, mas nada acontece.

...

Abro a minha mão, e ela vem ter comigo instintivamente. Pergunta-me "quem és?" só pelo toque, e eu desmaio pela primeira vez na vida.

Quando acordo (o seu sapatinho-de-ir-ao-figo escorrega, mostrando que ele se distraíra da única coisa que sabe fazer como deve ser. Removendo o factor velocidade, nada mais se alterou.), reparo que tudo voltou ao normal. A um "normal" que nunca antes tinha visto.

terça-feira, março 25, 2008

Aquela caneta

Envolvido pela escuridão, relembro o passado de uma forma suficientemente familiar que me parece tão pouco distante. A presença de uma vela imaginária desconstrói rapidamente esse prisma negro em vários objectos, cada um com o seu significado. Um rasgão de uma folha A4 com uma nota escrita (não sei se é algo que ainda não está feito, ou um papel para deitar fora), uma prenda de anos (ainda hoje, não sei que utilidade dar àquilo), uma carteira fechada que uso todos os dias (quanto tempo passámos juntos... quantos dias tem a tua memória?), as chaves (representativas de abrigos sinceros), aquela caneta (“aquela” caneta... a história daquela caneta)...

A chama da vela imaginária treme (não sei se de medo), sugerindo à minha consciência que não estou sozinho. Os objectos (que estavam já inconscientemente memorizados quanto ao espaço geométrico), dissolvem-se com o negro predominante, e o passado outrora distante parece agora mais presente... mas diferente. Desta vez, o passado não é presente, porque o futuro invade esse lugar. O presente passa continuamente, e o passado parece não ocupar lugar... porque o saber está no presente.

A vela apaga-se com a minha imaginação. Sou absorvido pelo vácuo como efeito secundário, e disparo uma luz cortante, que se desintegra espectralmente pelo prisma negro, a toda a velocidade. E o que ficou? O que sobrou para contar todos os segredos que tinha guardado?

sábado, setembro 22, 2007

Texto corrido, ciente...

Não tenho expectativas, mas penso em algo possível. Há sonhos possíveis de alcançar. Soam sempre a inacreditável na maioria das vezes, mas isso talvez aconteça porque nunca queremos acreditar que algo de realmente bom nos poderia acontecer. E as vezes isso quebra com tudo… A insegurança, a falta de confiança… Apesar de (na pura realidade) só podermos contar connosco próprios (“Tu tens de ser egocêntrico, porque nunca ninguém o vai ser por ti!”), há alturas fulcrais em que fazemos questão de nos fazermos mal. Sentimos que não merecemos pelo que somos, mas somos o que merecemos…e isso não tem sentido nenhum. Se até mesmo aquele que fez mal intencionado a determinada pessoa merece uma segunda oportunidade, porque não merecemos nós algo que sabe realmente bem? Sim, implica certos riscos, mas sem riscos a vida não teria sabor. E esses riscos…estão mesmo lá? São assim tão relevantes? Ou são apenas fruto da nossa incerteza e daquele medo exequível de falhar? Não serão apenas uma desculpa cobardolas para não seguir em frente?